Testemunhas Confirmam Envolvimento de Hildebrando na Morte de Policial
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Rio Branco, 13 (AE) - Oito testemunhas ouvidas hoje pela Justiça Federal confirmaram que o ex-deputado Hildebrando Pascoal e mais quatro acusados planejaram e executaram o assassinato do policial civil Walter José Ayala, segundo informou hoje o procurador da República José Roberto Santoro. Os depoimentos, nos quais as testemunhas ratificaram as declarações prestadas à Polícia Federal (PF) e à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, foram prestados na presença de todos os réus - uma exigência legal, na fase inicial do processo.
Ayala foi assassinado com um tiro à queima-roupa quando estava dentro de um ônibus em 12 de setembro de 1997, supostamente porque era testemunha e ia depor na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Ministério da Justiça na apuração das atividades do grupo de extermínio que agia no Estado. Além de Hildebrando, foram acusados o sargento da PM Alex Fernandes de Barros, o pistoleiro Raimundo Alves da Silva, o Raimundinho, o soldado da PM Ronaldo Romero e o soldado Reginaldo Rocha de Souza, conhecido como Régis.
A maioria dos depoentes deixou a Justiça Federal sem dar declarações, mas o arcebispo de Porto Velho e ex-bispo de Rio Branco, dom Moacyr Grecchi, reafirmou depoimento anterior à Polícia Federal (PF) e à CPI do Narcotráfico. "Eu confirmei ter informações a respeito da ação do esquadrão da morte no Estado e com base nisso, não tenho dúvida de que o responsável era o senhor Hildebrando Pascoal", disse dom Moacyr.
Os depoimentos sobre os homicídios atribuídos ao grupo de extermínio supostamente liderado por Hildebrando prosseguem na quarta-feira (15). O juiz Pedro Francisco da Silva, da 2.ª Vara Federal do Acre, vai ouvir as testemunhas de acusação no assassinato do bombeiro Sebastião Crispim, também testemunha do Conselho de Defesa da Pessoa Humana do Ministério da Justiça. Crispim foi assassinado um dia depois de Ayala.
ABNOR GONDIM | enviado especial a Rio Branco São Paulo, Domingo, 26 de Dezembro de 1999 Testemunha convocada pelo Ministério Público Federal reforçou a suspeita que o policial civil Walter José Ayala foi morto em Rio Branco, em 1997, como "queima de arquivo" pelo suposto grupo de extermínio comandado pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal. O açougueiro José Lourival de Melo França disse ao juiz Pedro Francisco da Silva que viu o segurança Raimundo Alves de Oliveira, o Raimundinho, matar o policial a tiros dentro de um ônibus. Raimundinho seria um dos matadores do grupo do ex-deputado. "O senhor sabe identificar quem disparou contra a vítima?", perguntou o juiz à testemunha em sessão reservada realizada no último dia 16 com a presença de 8 dos 41 acusados de integrar a suposta quadrilha. "Foi aquele", respondeu França na direção de Raimundinho, sem hesitação. O Ministério da Justiça incluiu o açougueiro, sua mulher e três filhos no programa de proteção a test...
"Há homens que moldam a história no silêncio de suas ações, cuja bravura não busca os holofotes, mas a retidão. Walter José Ayala foi um desses homens: um herói cujo nome está gravado no livro da verdadeira justiça humana." ─── I. Origens e o Batismo do Destino ─── Nascido em 25 de abril de 1950 , em Porto Velho, Rondônia, Walter carregava no sangue a força da resiliência boliviana. Filho de Claudina Ayala — natural de Santa Cruz de la Sierra e descendente de espanhóis — e de Júlio, a família cruzou a fronteira em direção ao Brasil pela região de Guajará-Mirim na década de 1950, movida pela eterna busca por dignidade e novas oportunidades. A infância, contudo, cobrou um preço precoce e avassalador. Antes mesmo de completar cinco anos, na cidade fronteiriça de Brasiléia, no Acre, Walter e suas irmãs viram-se órfãos. A mãe, Claudina, partiu de forma abrupta; o pai, Júlio, foi tragicamente vitimado pela queda de uma árvore durante a travessia de uma ponte. A fatalidade desfez ...
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